sábado, 20 de janeiro de 2018

E seguem as alegrias cotidianas...


20  janeiro  18  sábado

Incrível descoberta!!!! Só agora me encontrei ali !!!

Alegria e gratidão aos amigos do site, da Revista!


http://www.revistadeouro.com/2017/12/a-verve-de-tania-diniz.html



A VERVE DE TÂNIA DINIZ


Jóia

Abriu a caixinha de joias e tirou a lua cheia.
O quarto, crescente de luz, clareou tanto que as paredes se tornaram transparentes como cristal e ela se assustou. Prendeu logo a lua no cordão de ouro do pescoço e foi namorar. Toda iluminada.  


Requinte

Sentia-se inspirado esta noite. Aprontou-se com apuro. O espelho devolveu-lhe a imagem perfeita em black-tie. Com um sorriso sensual, passou a mão pelos cabelos e, cantarolando, desceu as escadarias.

O imenso salão do castelo estava primorosamente arranjado, com flores e velas entre fugazes cortinas e espessos tapetes. A grande mesa ao centro, bem preparada.

Deixou a rubra taça sobre o aparador. Um gole lhe bastava.
Sentou-se no único lugar, a ele destinado, bem em frente à imensa salva de prata ao centro da mesa. E, ajeitando o guardanapo de linho branco, com elegante gesto, destampou-a. Delicioso aroma flamejou-lhe as narinas. 

Maravilhou-se com o refinamento do cardápio. Entre perfeitas cerejas, cachos de uva, alguns dourados pêssegos afundados em ninhos de fios de ovos e salpicados fígados de pombos, estava a mais delicada iguaria que já lhe fora servida: esplêndida mulher jazia em repouso, apenas coberta a pele de marfim por seus cabelos de ébano.

Educadamente, secou os lábios de vinho e iniciou o ritual do banquete. Com sábias mãos, percorreu o macio corpo, sentindo que seu calor atingia, assim, quase a elevada temperatura desejável. Envolveu os seios com mãos conhecedoras. 

Não resistiu, fugiu a todas as regras de etiqueta: provou-os com leves mordidas. E como a carnuda boca o tentasse também, lambeu-a e explorou-a por dentro.

Ao discreto pigarrear do mordomo que entrava, caiu em si. E, de faces coradas pelo deslize, ou talvez, pelo apetite, com finos gestos, tomou dos talheres de prata.

Abriu-lhe delicadamente o peito e devorou-lhe o coração, com tanta elegância, que sequer um pingo de sangue lhe comprometeu a bem aparada barba azul.  


Cuore  

Tinha sempre o coração aos pulos, pelas tensões do dia a dia e o objetivo de conquistar a felicidade. E tanto correu atrás dela que o coração saiu-lhe pela boca. Só anda agora de coração na mão.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

19 Janeiro18  Sexta.




brilha a lua nova
fino cílio do olho azul
- o céu de safira 
tânia diniz

                                                          * * *
Mais algumas lembranças...

Minha página no site Vale dos Haicais da querida Débora Novaes de Castro! Muita honra e alegria!!!!

Não me lembro mais de quando foi, em que ano, mas são muitos, rsrs.

VALE DOS HAICAIS

 
 

 HAICAÍSTAS CONVIDADOS

Tânia Diniz

HAICAIS

chuva no outono
chumbo no céu e na terra
salgueiro que chora


vôo dos pássaros!
fio costurando ligeiro
o céu ao mar


no canto da janela
nova linha do horizonte
o fio da aranha.


brisa no bambu
um aceno do vento
ao sol ameno

sol y sombras
encaje en la piel
tiempo que pasa

Biografia:
Tânia Diniz, escritora, poeta, contista, professora, palestrante, oficineira. Editora-idealizadora do mural poético Mulheres Emergentes desde 1989; publicação de circulação internacional que coloca autores novos ao lado dos já consagrados.Participa de várias antologias nacionais e estrangeiras, e dicionários de escritor/e/as. Premiada em diversos concursos no Brasil e exterior, tem vários poemas traduzidos para outros idiomas. Livro de estreia, O Mágico de Nós, contos (1988); Rituais, contos, 1997. Mulher EmBalada, pacote poético, 1992.Haicais: Bashô em nós, co-autoria(1996); Relato de viagem à Marmelada, (1997), Flor do Quiabo, (2001); Antologia ME18 Mulheres Emergentes, (2007), entre outros. Todos em Belo Horizonte, pela editora Mulheres Emergentes Edições Alternativas.
E-mail:
memerg@gmail.com   concursodelendasme@gmail.com 

*Texto e foto enviados pela autora.
 

https://www.deboranovaesdecastro.com.br/conteudo.php?id_conteudo=168
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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

LUTO

18 Janeiro 2018 . Quinta

Lamento profundamente.

Chocada, como todos, recebi a notícia da passagem do querido artista 
                        Flávio Henrique Alves de Oliveira, 
internado desde o dia 11, com febre amarela, um absurdo no século XXI !!!

Uma perda irreparável para a classe artística e todo o público!

Que esteja na Luz! Saudades eternas! Nossos sentimentos à família.


Em um rápido registro da noite do Projeto Stereoteca, no teatro da Biblioteca Pública, dia 24 de setembro de 2008 onde, em parceria com o projeto Pão e Poesia (Diovvani Mendonça), apresentei meus poemas na abertura do show da talentosíssima Mariana Nunes, ao lado de quem (eu) estou aí, acima, junto com o simpático e, também excelente músico, Flávio Henrique.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

17 janeiro 18  Quarta

A alegria de relembrar...

'A Murilo Rubião, criador do "Realismo-Fantástico", a homenagem de seus colegas.'

Essa é a dedicatória que abre o livro Flor de Vidro, antologia de autores mineiros categoria / contos.

Editada em 1991 pela extinta Editora Arte Quintal Ltda, em BH, tem capa 
de Yara Tupinambá.

 
"Pela primeira vez uma antologia de contos mineiros reúne escritores de quatro gerações.
Nomes e contos que honram a literatura mineira brasileira contemporânea.
Um panorama eclético da estória curta mineira.
Realismo- fantástico, Pop, Erótico, Impressionismo, Pós-Moderno: o salto quantitativo da shorty-story feita em Minas Gerais dos anos 40 aos 90."

Diz a quarta capa, além de elencar os participantes.



Com muita honra, estou na página 291, com um dos meus continhos do realismo mágico (abaixo), homenageando Rubião, que tanto me apoiou

  • Vejam o que disse numa carta de apresentação:

"(...) Com um livro de contos publicado, Tânia é editora de um jornal de poesia e figura expressiva entre os jovens intelectuais mineiros. (...) "

Murilo Rubião, em carta de apresentação / agosto de 1990.   

 
Ilhada 

Ele começou por censurar-lhe as velhas amizades de infância. Encolheu-se e, confiante nele, cessou de cultivá-las. E por acréscimo, as outras. Percebeu apenas que a pele tinha então menos viço e os cabelos se tornaram meio quebradiços.
Querendo consolá-la, ele deu-lhe uma lista de pecados para ler.
Mais tarde, cortou-lhe o prazer da dança. Essa diversão antiga não lhe ficava bem.
Confrangida, crendo nele, deixou os gestos leves, a figura tornou-se mais pesada, caíram-lhe alguns tufos de cabelo. 
Por amá-la, não quis que o sol lhe estragasse a pele (já sem tanto brilho), e ela deixou de frequentar piscinas e praias, o convívio social.
Bem intencionado,, não quis mais que ela ouvisse música, as altas frequências poderiam ferir-lhe os delicados tímpanos. Curvou, a mais esse cuidado, sua silhueta meio murcha. Alguns dentes se abalaram.
Tirou-lhe os livros para não cansar-lhe a vista. Seus olhos perderam a cor.
Não quis mais que atendesse ao telefone pois, o tempo precioso era-lhe tomado em ouvir pessoas. Sangrar poemas em folhas de seda tirava-lhe o fôlego e, temeroso por sua saúde, desaconselhou-a.
Tão debilitada após tantos cuidados, preocupada com tanta dedicação, não tinha forças para reagir e, sem reações possíveis, diante do olhar consternado do esposo, desintegrou-se.
                                              tânia diniz       

 

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

16 janeiro 2018. Terça

Lembrança do facebook, do trabalho e da amiga.... delícia!!!


Abaixo ME, suplemento cultural criado pela poeta Tania Diniz, em foto do número especial com meu trabalho. O que me honrará pela eternidade. Se é que (ela) existe. Uma homenagem a amigAmada, nossa querida de BH. Tania chegou em São Paulo com as mãos carregadas de poesia, ficou hospedada em nossa casa do Morumbi. Lançamos o Caderno Especial na Livraria Cultura. Foi um auê... Uma mineirada rodeada por paulistas, e gente de todo o Brasil. Nem me lembro o ano, entrem no Blog Mulheres Emergentes e encontrarão isto e muito mais. Minha querida TD e eu somos amigas de muitas batalhas. Juntas frequentamos o tempo do qual nos contou Clarice Lispector: o instante. E o instante, talvez, em sua precariedade volátil seja construído por intervalos de eternidade. E no aqui agora deste pequeno texto posso dizer: o poeta faz isto.


Ano 4          No. 16          Dez. Jan. Fev. 1994              1.000 exemplares
                                                e
 Suplemento Especial com Eliane Accioly Fonseca  

Este número 16 do ano 4 foi lançado também em movimentado coquetel na Livraria Cultura, na avenida Paulista, lá em São Paulo, era o point, com altas presenças e até fila do beija-mão para a querida Nelly Novaes Coelho, que me prestigiou com sua presença... ô saudade!!!!
E na época ainda não era muito fácil ter fotos, as poucas que tinha, se perderam nas calamidades ME...





                                                    Suplemento Especial
 Teve uma errata, aí embaixo (ou em cima, rs); com problemas nos computadores, perdeu-se uma pequena parte do texto e só foi visto quando já impresso...ossos do ofício!!!

 
 Em fotos relíquia de Eliane, alguns momentos do lançamento...

 Nelly Novaes Coelho, eu Tânia e Eliane

 eu, ao fundo e Eliane autografando


Maluh Humberg, a saudosa amadamiga e maravilhosa escritora e artista plástica, Helena Armond, eu Tânia e o amigo Ugo.


Josino, marido de Eliane, eu, ela e uma amiga...