sexta-feira, 27 de junho de 2008

...

a natureza enfeita,
de ave e flor,
o bicho-homem
na pele do planeta.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Caleidoscópio

. . .
- Giro sempre, e a cada volta me encontro nova e desconhecida mas,
com leve sabor de algo talvez provado um dia.
E pressinto formas e vejo novos caminhos mas, nem sempre sigo a
estrada. Por quê?
Descubro, ao fim, que o mundo é apenas um louco pião a girar em torno de si mesmo. E me encanta saber que o verdadeiro caleidoscópio sou eu mesma, minha mente, que apenas reflete as maravilhas do infinito a cada giro de minha procura. E os desenhos assim formados, um dia serão o quebra-cabeças completado. E terei vencido . . .
Assim falou Zara, a Truta.

terça-feira, 24 de junho de 2008

***

Jardineiros celebram
Belos, erguem-se os lírios
Brinde à paz!

sexta-feira, 20 de junho de 2008

RAQUEL NAVEIRA

GAIVOTA

Mudei minha rota:
Agora sou gaivota
Sobrevoando o mar.

Saí de uma nuvem preta
Carregando meu destino
De gaivota,
Devota da poesia
Que busco no topo das montanhas
E nas luzes dos faróis.

O meu vôo é leve,
Virei ave viajante,
Com uma linguagem tão forte
Que abre portas no céu.

Eu via coisas,
Escutava,
Compreendi logo:
Havia uma magia,
Um presságio,
Eu voaria alto
Para onde a imaginação me levaria,
Puro conhecimento.

O dom da palavra,
A luta com a serpente,
A inaceitável derrota,
Tudo me sufocava
E eu estava quase morta.

Restaram-me apenas
A personalidade sonhadora,
A alma ancestral
E a força de gaivota.

Com essa Gaivota encerramos a exposição das mulheres da Antologia ME 18 anos.
A partir de semana que vem, voltamos com novos textos de Tânia Diniz e tudo mais que for poeticamente interessante.
Continuem mandando suas contribuições (
memerg@gmail.com).
Bom final de semana, Ana Carol

quarta-feira, 18 de junho de 2008

LETÍCIA NAVEIRA

CRISE

Os delatores têm suas línguas dilatadas,
Implantadas,
As pessoas ficam estupefatas,
Simulo a regra das regras, adapto.

Estive em busca de mim
E assim fui muito além,
Afim do fim.
Coloquei ordem,
Impus ordem.
À autoridade da cidade,
Mantida por escrotos,
Ratos de esgoto.

Se você me apóia,
Mesmo quando não preciso,
Faz-se do crespo, o liso,
Do sossego, o agito,
Então eu permito
Adentre ao meu recinto,
Eu o beijo e te arrasto,
Cometo crimes sem deixar rastros,
Eu o trituro,
Sinto o gosto,
Tudo se tornou fosco,
Desigual,
Me iludo
E finjo ser normal.

É uma crise,
Peço que você me pise,
Refaça sua leitura,
Sinta meu braços em volta de sua cintura,
Você não me ama,
Por que sou louca,

Pouca,
Incomum,
É avesso,
O meu reverso,
Repressão e influência
Essas são minhas tendências.

Deite-se e me aceite,
Derrama-me leite,
Estarreça
E depois adormeça.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

MARINA SILVA

VERDADE E ESSÊNCIA

Na busca da verdade
a mentira e devaneios
transformam-se em verdade tão desejada;
onde os horizonte são abertos
onde a vida tem início,
onde me encontro,
onde me faço sero mais belo dos seres.
Na essência da vida
vida se aflora
com paciência e alegria
consigo refazer essa história.
História de vida,
de nascimentode outras vidas.
Me faço hoje, agora.
Recontando essa história
de uma mais bela forma

quarta-feira, 11 de junho de 2008

LÚCIA SERRA

POEMA ALADO

Para a paisagem suas nesgas e frestas o vento
empresta ao tempo seu sopro
convulso nas pradarias do espanto as levas são
de arremedo estiagem é mais
ao sul memória e adereços quantos anos eu tinha?
retomo a leitura do olhar
no hoje de tua boca e contorno o impalpável do beijo
com a ponta dos dedos.

Arrepio alamandas e musgos meus olhos salgam
esmeraldas arrulhos são lichias
ou jambos? pendentes de asas e bicos minhas mãos
se aveludam e se impregna
na língua saliva mesclada de furto degusto avencas
aspiro orquídeas respirar
é me fazer viva e eu viajo meu mar é doce provido
em leito de terra
vermelha.

Resvalo tua pele indumentária de seda e juventude
alcanço noites de febre e
acordo nudez de antúrios transporto à tona pulsações
de meu avesso as linhas
grafadas esboçam encontros e
contenda sinalizam velaturas de encanto e
amálgama.

Acordo tácito o sentimento preso à garganta torna-se
lasso liberta
embrenho-me no teu peito de homem teus braços
laços embalam o naufrágio de
nossa fome e eu me acomodo em concha no vão de
tuas coxas movimentam as
ondas seu ritmo desvelado de umidade e fôlego.

Ainda chamas por mim em sonhos apelo repetido
e rouco faço-me anjo? e a
imaterial substância de minha carne corrompe-se em
poema e os versos soltos
um a um inocentes voam.

terça-feira, 10 de junho de 2008

líria porto

açúcar e muito afeto

e por falar em canela
panelas e coisas tais
põe uns cravos
ovos batidos
as casquinhas de um limão
leite açúcar derretido
bem fervido fumegante
deixa lá em fogo brando
quero ver se alguém resiste
à ambrosia dos céus
receita inigualável
doçuras de minha mãe

sexta-feira, 6 de junho de 2008

José Afrânio, nossa homenagem!

LUTO

Queridos amigos,cumpro o doloroso dever de comunicar, e peço que comuniquem a quem mais puderem, a irreparável perda do querido e generoso amigo, excelente escritor de Alvinópolis- MG, residente em Belo Horizonte, JOSÉ AFRÂNIO MOREIRA DUARTE. Lutava dignamente, há alguns anos, contra um câncer e ontem (03/06) teve um ataque cardíaco em sua casa. Peçam sempre por ele em suas orações. Um abraço, tânia

elegia pressentida(Para José Afrânio Moreira Duarte, lá!)

gabriel bicalho
quando a borboleta negra
pousa em nossas trilhas
fecha-se o sol e o girassol

amigo / irmão / josé afrânio:
não faz escuro ao teu redor!

anjos dialogam tua serventia
e o brilho que solitário emanas
transpõe fronteiras além céu
:
é que Deus convoca os puros
a espargirem luzes pelo cosmo!

estás definitivo e belo feito
estrela de primeira grandeza
:
em absoluto silêncio
para o equilíbrio telúrico
de nossos quatro elementos!

e choro a indesejável surpresa
de tua ausência antes pressentida

agora
pelas alamedas da tristeza
os ciprestes se curvam
à tua eternidade!

e não faz ventania!

quarta-feira, 4 de junho de 2008

KARINA ARAUJO CAMPOS

TOTEM

Eu vislumbro um totem em mim,
Que cresce hierarquicamente desde minha infância.

Mas eu não sou exclusivamente em cada momento um animal, uma essência, uma virtude.
Eu sou a soma das virtudes e a mistura dos bichos.

Me vejo mulher. Minha cabeça é o comando de tudo. Meu cérebro humano ao topo está vinculado à luz suprema do cosmo, da divindade, Uma coroa dourada está ligada através de raios viajantes, dourados, envolvidos por pó de ouro transcendente.

A inteligência, a consciência e a espiritualidade são minhas virtudes mentais.
Abaixo da minha cabeça, uma cabeça de leão com a boca aberta. Seu rugido ainda pode ser ouvido pelos sons do universo. É o grito, é a fala, é o som... Sua virtude é a ponderação. Eu falo. Eu calo.

Nas laterais ursos, panteras, tigres, cavalos, búfalos... Animais que carregam e sustentam o viver. Sua virtude é a força, a coragem. Erguem o tóten na postura esguia; empina-se para os desafios da vida.

Ao centro a águia. Asas abertas. Borboletas e pássaros multicores. Movimento. Transmutação. Sua virtude é o amor. O amor move tudo. O amor move o universo. Tudo se move através do amor. O amor a tudo modifica.
Um pouco abaixo vejo gatos. Sua essência é a captação. Sua virtude o entendimento, a transformação.

O Chacra Básico é mantido por coelhos, golfinhos. Sua virtude: a maturidade, a produtividade, a reprodução.

Troncos gigantes sustentam e embasam esse reino de poder. Virtude: sabedoria, coragem, amor, dignidade, simplicidade.

A mãe natureza fortalece o SER.

Ao fundo, as asas da liberdade envoltas pelo verde esperança a bailar no Universo. Liberdade movida pelo desejo, pela evolução, pela criação.

E um sorriso de mulher ecoa no Universo.

terça-feira, 3 de junho de 2008

GRAÇA RIOS

METAMORFOSE

Poesia vestidinha
de asa
e treta
vira bruxa
ou borboleta?


Quando a areia
arranha a
ostra
quando a ostra
arranha a
areia
olha a festa da
sereia!

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Dica do Dia


PISANDO NA MÁSCARA, novo livro de João Nery.

Romance, 197 páginas, ainda saindo do forno, mas quem quiser se antecipar pode entrar em contato com o autor: tentativa2002@uol.com.br

Vale a pena!

SILVANA PAGANO

O VENTO

Balançar os cabelos da menina,
acariciar a pele dos homens,
sussurrar delícias aos apaixonados,
lançar a voz até o outro...

Sustentar os pássaros
e o canto dos pássaros.
Refrescar o calor da noite,
suprir o outono de encantamento.

Mudar completamente!
Transformar a paisagem,
ferir com o grito
velhos amores.
Destelhar abrigo inseguro,
partir fios, galhos e flores.

Sou como o vento.
Ante o estabelecido
provoco movimento.

domingo, 1 de junho de 2008

MICHELINE LAGE

NO DIA EM QUE TE CONHECI

No dia em que te conheci
Meu olhar se deu com o seu
Meu olhar se deu com o céu
Refletido nas lentes dos óculos
E eu vi que você era um louco louco
Fingindo que era normal
Eu era igual
Com meu tailleur
Fingindo que era mulher
Você era da minha tribo
E não me enganava mais
Sua retina dizia
Que era louco demais
Que éramos iguais
Sem eira nem beira
Fingíamos que éramos normais.