quarta-feira, 10 de setembro de 2008

PANDORA

O prédio onde morava tinha severos regulamentos, sendo um deles, o silêncio após as 22 horas. Ao apertar o dedo na porta com violência, quisera gritar de dor como louca. Correu ao armário, pegou sofregamente a caixinha que seu pai lhe dera em criança, e mais uma vez levantou ligeira a tampa, soltou o grito lá dentro e fechou-a rápido.
Mais tarde, em crise de sonambulismo, abriu a caixa e os gritos, há tanto ali contidos, ecoaram em tremendo berro que quebrou as vidraças e correu pela noite como uma sirene, até cair numa boca-de-lobo e morrer-lhe na garganta.

2 comentários:

*** disse...

sou suspeita, porque foi feito em minha homenagem, mas eu adoro este conto!
Ana Carol

Tânia Diniz disse...

pois é, filhinha!
foi sua época de "chorolina", né? rs
também gosto dele.
bjo da mamãe,
tânia