quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Carnaval chegando, resolvi mostrar mais um continho, antigo...

Num sábado


( tempos atrás)

Pedia-lhe a alma toda vez em que se encontravam. Cercava-a, acariciava, prometia, lisonjeava-a, de vez em quando, até se tornava agressivo, tentando convencê-la. Dizia que amava.


E tanto fez e pediu que, num dia nublado ela, enternecida, cedeu-lhe a tão cobiçada prenda, envolta em rendas.


Com ela nas mãos, ele correu vaidoso e deliciado e, em praça pública, colocou-a em exposição na barraca de quinquilharias, onde seria avaliada e achincalhada pelos mercadores e mendigos e as prostitutas do lugar.

tânia diniz