quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Como prometi,

aqui estão a capa, o convite e os textos de apresentação de mais essa antologia de que participo em Portugal : 






Obs.: Capa – Busto de Padre António Vieira – Imperador da Língua Portuguesa (Pessoa) de Samia Zaccour.
 


Prefácio

Os Sonhos são imagem da vida.
Padre António Vieira (1608-1697)

A Antologia de Poetas Lusófonos era um sonho baseado numa forma singular de coabitarmos com a realidade que camuflamos, esperando que a pedra filosofal fosse a cor do nosso mundo pelas mãos de uma criança que acabou por crescer e dar fruto a uma rede de mais de 300 poetas que em seis volumes se espalha por todos os continentes e em 24 países.
Vivemos circundados de desejos, de anseios, de sementes ofuscadas e de anelas clandestinas, infindavelmente com o objectivo atónito de atracar no ancoradouro dos nossos sonhos.
Envolvemo-nos de incertezas, galgamos os vales de montanhas imaginárias e deixamo-nos arrastar pela rudimentar quimera que se enovela em nossos pés e nos faz tropeçar.
Devaneamos, ensaiamos enganar o intuito, mesmo de olhos bem abertos, e soltamo-nos à agitação da aparência almejando avassalar o sonho que habita no horizonte sublime.
Partimos para conquistar o sonho desejado, confrontamo-nos com o paredão da dificuldade, com o muro da desilusão e com a muralha da frustração que nos fazem angariar revoltas… Sublevações que nos obrigam a semear sonhos pelas valetas do asfalto que vamos deixando para trás.
A grandiosidade do sonho, quando infesta a reflexão, torna-nos grandiosos dentro do nosso alguidar de concepções, como vincou Friedrich Hölderlin (1770-1843): O Homem, quando sonha, é um deus, quando reflecte, é um mendigo.
Porém, um renovado sonho, mesmo no nosso ínfimo e recôndito ser, rejuvenesce-nos e arremessa-nos para mais um atalho de procura.
Afiançamo-nos, sempre, na realização dos sonhos, mesmo os que parecem irrealizáveis. Jamais nos enfadamos de sonhar e chegamos mesmo a sonhar sobre os nossos sonhos.
Tal como escreveu Fernando Pessoa (1888-1935), no seu Livro do Desassossego: De sonhar ninguém se cansa, porque sonhar é esquecer, e esquecer não pesa e é um sono em sonhos em que estamos despertos.
Sonhar faz parte da utopia da nossa vida. Sonhamos para nós e fantasiamos para os outros.
Lançamos na terra dos sonhos a semente da Antologia e ambicionamos observá-la a crescer. Porque, nessa terra, como canta Jorge Palma (1950), podemos ser nós próprios porque ninguém nos leva a mal.
Nessa terra sonhamos de livre vontade, projectamos os nossos sonhos para cima de uma mesa plantada numa fajã de delírios como se de um banquete se tratasse.
Na terra da imaginação plantamos a árvore dos sonhos. Regamo-la, podamo-la e quando esta conceder a flor começaremos a arquitectar uma escada, de preferência segura, sem degraus adulterados ou superiores ao que a nossa perna abarca. O fruto nasceu… Agora, ascenderemos para colher cada um dos sonhos que irá pintalgando a copa da árvore.
Como na vida, a árvore da Antologia de Poetas Lusófonos só nos outorgará frutos se a compreendermos e soubermos conservar. Estimando-a, protegendo-a das intempéries e salvaguardando-a de utopistas que converteram os sonhos em cobiças e não se importam de derribar a mais humilde árvore na exploração do arvoredo da ganância e da invejidade.
A fim de impedir que o sonho esporeie o bilhete da vida no garrote do pesadelo e da importunação devemos agarrar a nossa árvore e coadjuva-la no seu crescimento. Se esta tiver de sucumbir que seja de pé, sem se vergar aos estereótipos da fantasmagoria compulsada por concepções malévolas.
Por isso, a VI Antologia de Poetas Lusófonos é mais um sonho nesta rede que pesca poesia. São 119 poetas oriundos de 14 países que através do seu punho lançam ao vento da cultura a sua obra poética.
Abraço e forte de puro agradecimento a todos os poetas participantes. Esta Antologia é vossa…

Adélio Amaro
Leiria, 10 de Setembro de 2014
Dia de São Nicolau Tolentino

Proémio


QUERIDOS POETAS:
escrevo estas palavras sentindo o gosto das lágrimas
que descem pela vidraça da minha alma

Sob o manto plácido e macio da LUSOFONIA vibraram  fortes movimentos telúricos provocados por quem não comunga com o Belo, com a Arte, com o Bem, por  quem não sonha sequer atingir o Sublime; adensando-se, adrede, espessos nevoeiros a encobrir todos os horizontes e a impedirem de todo a visão do Absoluto que antes parecia atingível e tão próximo…
As lágrimas de muitas almas poéticas brotaram e deslizaram por rostos diferenciados e iguais, as quais foram sendo sorvidas pelo manto de cores variegadas que cobre povos tão diferentes  e , em tudo, tão semelhantes, ao longo de todas as partidas da Terra... de todos os mares.
Gentes vestidas de cores diversas, sempre sorridentes, cantando e falando com vozes diferentes, porém sempre inteligíveis, compreendendo-se, amando-se e respeitando-se reciprocamente. ... E, assim, hão-de continuar.
Por todos os tempos, entendemos as notas da musicalidade das palavras e das almas de todos esses Povos. Povos bons da LUSOFONIA. E sempre – sempre assim o pensámos – todos nos convenceram de que nos entendiam e que, para eles, as nossas mensagens eram sempre claras e compreendidas, fossem condimentadas com o açucarado som brasileiro (como disse Eça), fossem com o salgado tom azul e verde açoreano ou com o sabor e aroma da canela de Goa ou com as fragrâncias do alecrim e do rosmaninho das Beiras.
Em momento algum nos assomou, sequer o mínimo resquício, a existência de eventual nota hegemónica de qualquer sobre os demais. Aliás, jamais aceitaríamos  a subalternidade de quem quer que fosse, na mesma razão de que nunca aceitaríamos nascesse sequer, em qualquer parte do espaço Lusófono, tal condição.
O imperialismo e as “colonizações” morreram. Morreram e bem e definitivamente. Foram enterrados fundo, bem fundo, debaixo do peso de todas as águas dos oceanos  e mares que se mantém a separar e a unir as terras de onde aqueles males foram banidos.
O que ocorreu há poucas semanas, nas Terras da amada Timor Lorosae foi uma hedionda vergonha para todos os que sonham  e trabalham e lutam em prol de uma cada vez maior fraternidade entre os que dialogam através da mesma, nossa, querida, Língua.
Com que direito, a troco do cheiro nauseabundo de petróleo e ou de notas surripiadas aos seus próprios povos, se apresenta tal gente como seus legítimos representantes, sem que para tal se tivessem sequer sujeitado ao escrutínio do voto?
Com que direito se sentam como legítimos representantes de um país que desconhece, por completo, a LÍNGUA que justificou a criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa; quem, ao divulgar para o mundo que de tal Comunidade fazia parte, o fez utilizando as línguas inglesa, francesa e espanhola, como senhor importante que, sem que para isso também tivesse sido eleito, se senta ao pé dos seus confrades, na qualidade de igual e em nome da nossa Língua que é a nossa Pátria? (e da qual nunca prescindiremos).
Quedem-se os neo e pretensos colonizadores e os neo imperialistas que já pululam pelas extensas plagas... quais pragas. A Lusofonia tem as suas sedes em oito moradas, em quatro continentes e muitas filiais ao longo da extensa diáspora formada por cabo-verdianos, brasileiros, portugueses, santomenses e demais e sejam aquelas moradas grandes, como a do Brasil, médias como a portuguesa ou  pequenas como a de São Tomé ou a de Timor, todas são, sem excepção ou diferença, vestidas  do mesmo manto de cores diversas, desde o verde-amarelo ao verde-vermelho, vermelho-azul-branco-negro e outras.
Na Lusofonia não há grandes nem pequenos. Há iguais que procuram em tudo ser irmãos que se amam reciprocamente. Em todos os espaços, quer dentro das moradas quer debaixo da abóbada celeste e ou sobre as águas dos rios, dos lagos e dos mares se devem sempre sentir as semelhanças e as diferenças e, em todos os casos, o respeito por todas elas.
E todos devem sentir e viver todas as sus emoções expressando-as através da língua comum, mesmo que com diferenças, língua que é de Camões, como de Amado, de Vieira como de Assis, de Luandino como de Pessoa, de Mia como de Torga, de Sofia, de Arménio, de Clarice, de Bilac.
De tantos e tantos, ao longo de todas as Terras e de todos os Mares... Excluindo-se dela, todavia, quem a não viva e quem a não sinta.
Lamentamos o ocorrido em Dili, como lamentamos o aparecimento de minúsculos pretensos colonizadores, como também lamentamos a falta de coragem de alguns dos presentes que não se opuseram a tão grande e condenável usurpação e ilegítima ocupação. Apontamos o mau exercício de todos os senhores presentes em Dili, do que decidiram, do modo como decidiram ou omitiram e opinamos que a gloriosa Língua, a última flor do Lácio, nada deve ao senhor Santos, de Luanda, à srª Dilma, de Brasília, ao senhor Xanana, de Dili e pela parte do por si omitido ao senhor Cavaco de Boliqueime e ao senhor Passos de Massamá.
Seguiremos de hoje em diante o nosso percurso, sem qualquer respeito ou simpatia pela aqui falhada CPLP.
O nosso hino é multinacional, multirracial e cheira a flores do campo. Não a petróleo nem a notas de banco, tantas vezes surripiadas.
A nossa bandeira tem muitas, muitas, e belas cores: as de todas as nações que dão vida à nossa Língua.
E que grande e feliz império, espiritual, poético, só composto por almas em tudo amigas e fraternas alcançaremos um dia: Denomine-se ele  Quinto Império ou do Amor entre os Homens.
Chamemos neste passo Fernando Pessoa: “a minha pátria é a minha língua...” bem como Olavo Bilac: “... a última flor do Lácio...”.
Viva a Lusofonia com a sua beleza e as suas diferenças, recta e equitativa, sem hegemonia de quem quer que seja: pura, sem petróleo, sem diamantes. Só com o brilho que dela esplandece e encanta.
O horizonte começa agora a ficar claro, sereno. Todos os espaços Lusófonos estão impregnados de fragrâncias de flores, nos quatro continentes.
A CPLP a prosseguir nesta senda poderá tornar-se uma farsa!
A Poesia será sempre o canto das almas!
Obrigado, Poetas. Obrigado, mais ainda, por serem todos Poetas e Lusófonos.


P.S.A admissão na CPLP da Guiné Equatorial, a da corrupção e da pena de morte, de cujos rendimentos só uma família beneficia (a do seu ditador e presidente), é um ultraje à democracia, à nossa gloriosa Língua e aos nossos princípios.
Arménio Vasconcelos 
Presidente da Academia de Letras e Artes Lusófonas
www.armenio-vasconcelos.blogspot.com
armeniovasconcelos@gmail.com

a mensagem recebida iniciava assim:

Convite
Município de Leiria e a Folheto Edições têm a honra de convidar V. Exa. e Família a assistirem à apresentação da VI Antologia de Poetas Lusófonos a realizar no próximo dia 20 de Setembro, pelas 15h30, no m|i|mo – Museu de Imagem em Movimento, Largo de S. Pedro, Leiria, Portugal (Junto ao Castelo).

Haverá um apontamento musical com Nuno Brito e um momento de poesia, com os autores.
A cerimónia terminará com um Porto de Honra.
 
Nota: Aconselhamos a estacionar no centro da cidade ou no parque do estádio e fazer calmamente o percurso a pé até ao Museu de Imagem.
 
Obs.: Capa – Busto de Padre António Vieira – Imperador da Língua Portuguesa (Pessoa) de Samia Zaccour.
 

Depois do sucesso das I, II, III, IV e V Antologias de Poetas Lusófonos, que contou com mensagens de parabéns dos Presidentes da República de Portugal e do Brasil, assim como do Primeiro-ministro de Portugal, de diversas Embaixadas, imensas instituições e muitas pessoas individuais, nasce, agora, a VI Antologia de Poetas Lusófonos.
A VI Antologia conta com a participação de 119 Poetas, oriundos de 14 países. As seis Antologias contam já com a presença de mais de 300 Poetas de 24 países de todos os Continentes.
 
Entrada livre.
 
Contamos com a sua presença.
Em nome de toda a equipa,
respeitosos cumprimentos,
 
Adélio Amaro
Coordenador Editorial

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Assim, amigos, espero seus comentarios.
BJINS,
tania

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